Candomblé: Estigmas de uma religião.

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MACUMBA X OFERENDA

Desvendando as verdades de uma crendice popular

Por Ana Paula Motta

Desde os primórdios do Candomblé no Brasil, é popularmente usada a expressão “macumba” para designar o culto religioso afro-brasileiro. Esse não é o sentido apropriado do termo e, muitas vezes, carrega um preconceito da parte de quem fala.

Segundo o babalorixá Sidney, do terreiro Ilê Wòpó Olujukan, a palavra macumba é encontrada no vocabulário Iorubá e remete à dança. O significado de Macumba encontrado em qualquer dicionário de língua portuguesa se define por Instrumento musical de percussão, de origem africana.

A maioria dos terreiros de Candomblé se recusa a usar essa expressão, já que no sentido pejorativo da palavra, remete à feitiço, despacho ou mandinga. Porém, há outros que não veem problema algum em usá-la, tratando de uma forma bem popular os trabalhos feitos pela casa, como os adeptos do terreiro Manzo Ngunzo Kaiango (Senzala de Pai Benedito), localizado no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte.

Oferenda é um sacrifício feito para o Orixá que será homenageado, assim é sacrificado o que por ele é pedido, podendo ser galinha, pato, cabrito, entre outros. Em cada terreiro há uma pessoa certa para fazer o sacrifício do animal, chamada de Axogun, esta pessoa é escolhida pelo Orixá, suas mãos são abençoadas para fazer um ritual de prosperidade. O Candomblé guarda à sete chaves o segredo desse ritual. Apenas é divulgado pelos candomblecistas, que a oferenda além da carne do animal sacrificado, é composta por frutas, ervas, mel, azeite de dendê, flores, bebidas, louças e adereços. Também pode ser feita para suplicar uma graça almejada, trazer coisas boas, como: saúde, amor, prosperidade, equilíbrio e harmonia. São chamadas também de ebó e cada Orixá tem um ebó específico. Os principais são:

Exú: Carnes mal passadas, farofa, cebola e milho cozido;

Iansã: Acarajé;

Iemanjá: Peixes e frutos do mar com arroz e canjica branca;

Ogum: Cabrito e frango com feijão e inhame ao azeite de dendê;

Omolu: Pipoca com mel e coco;

Oxalá: Canjica branca e arroz com mel;

Oxossi: Feijão torrado com animais de caça, coco e mel;

Oxum: Feijão, camarão, cebola e ovos cozidos;

Xangô: Pirão de quiabo, camarão e camarão de dendê.

É aconselhável, ao fazer um ebó, utilizar materiais novos, nunca substituir o que é pedido na receita por um similar, focar o pensamento no que é desejado e não faze-lo para desejar o mal a alguém, pois pode atrair vibrações negativas e voltá-las para si.

Para muitos, oferenda e macumba são a mesma coisa, o importante é que transmitam o bem através de seus orixás, a cada trabalho feito, pois quando as pessoas querem o bem para si, é transmitida as energias positivas para os seus adjacentes, e daí por diante.

Preconceito dificulta a vida de praticantes do Candomblé.

Por César Augusto Alves Paulo

Preconceito e a discriminação acompanham a vida de quem escolheu o Candomblé como religião. Marginalizados pela sociedade e por outras religiões, os fieis candomblecistas, muitas vezes, vêem-se obrigados a esconder sua religião das pessoas para não sofrerem com o preconceito.
O preconceito não consegue derrubar o orgulho que os fiéis têm por serem candomblecistas, mas esse orgulho fica cercado pelos muros dos terreiros. Apesar de ser uma religião já consolidada, presente no Brasil desde a colonização, o Candomblé não é amplamente divulgado, e a sociedade brasileira desconhece o que de fato representa a religião. A falta de conhecimento, aliada a fatores históricos, torna a luta contra o preconceito cada vez mais difícil.
O Candomblé é uma religião afro-brasileira, com maioria de fiéis negra, o que aumenta o preconceito. “O preconceito com o Candomblé se confunde, de forma muito forte, com o preconceito racial”, afirma Eligiane Miguel, professora da rede pública e graduada em História pelo Centro Universitário UNA. Eligiane conhece o Candomblé desde criança, quando sua mãe frequentava terreiros, mesmo sem ser adepta da religião. Hoje, após ter feito um curso sobre religiões de matrizes africanas, ela desenvolve um trabalho para combater o preconceito nas escolas.
A visão que as pessoas têm do Candomblé vem acompanhada de sincretismos negativos, associando as práticas religiosas que ocorrem nas cerimônias, a cultos demoníacos. Despacho e macumba são, hoje, palavras que integram o vocabulário do brasileiro e que carregam uma conotação pejorativa.
No entanto, há quem não seja Candomblecista e que compreende a importância de se combater esse preconceito. As estudantes Simone dos Santos e Juliana de Belles cursam o último período do curso de Turismo na faculdade Newton Paiva, e escolheram as manifestações da cultura afro-brasileira como tema para a monografia. “(O Candomblé) é uma religião muito rica, complexa. Tem muitos ritos, muitas manifestações, muitos elementos inseridos”, diz Simone. Para Juliana, que também conhece a religião desde criança, o Candomblé é importante para a sociedade, pois resgata valores históricos e culturais. “O candomblé é praticamente o berço do espiritismo. A cultura do brasileiro tem características afro-brasileiras”, informa a estudante de turismo.