Candomblé: Estigmas de uma religião.

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Preconceito dificulta a vida de praticantes do Candomblé.

Por César Augusto Alves Paulo

Preconceito e a discriminação acompanham a vida de quem escolheu o Candomblé como religião. Marginalizados pela sociedade e por outras religiões, os fieis candomblecistas, muitas vezes, vêem-se obrigados a esconder sua religião das pessoas para não sofrerem com o preconceito.
O preconceito não consegue derrubar o orgulho que os fiéis têm por serem candomblecistas, mas esse orgulho fica cercado pelos muros dos terreiros. Apesar de ser uma religião já consolidada, presente no Brasil desde a colonização, o Candomblé não é amplamente divulgado, e a sociedade brasileira desconhece o que de fato representa a religião. A falta de conhecimento, aliada a fatores históricos, torna a luta contra o preconceito cada vez mais difícil.
O Candomblé é uma religião afro-brasileira, com maioria de fiéis negra, o que aumenta o preconceito. “O preconceito com o Candomblé se confunde, de forma muito forte, com o preconceito racial”, afirma Eligiane Miguel, professora da rede pública e graduada em História pelo Centro Universitário UNA. Eligiane conhece o Candomblé desde criança, quando sua mãe frequentava terreiros, mesmo sem ser adepta da religião. Hoje, após ter feito um curso sobre religiões de matrizes africanas, ela desenvolve um trabalho para combater o preconceito nas escolas.
A visão que as pessoas têm do Candomblé vem acompanhada de sincretismos negativos, associando as práticas religiosas que ocorrem nas cerimônias, a cultos demoníacos. Despacho e macumba são, hoje, palavras que integram o vocabulário do brasileiro e que carregam uma conotação pejorativa.
No entanto, há quem não seja Candomblecista e que compreende a importância de se combater esse preconceito. As estudantes Simone dos Santos e Juliana de Belles cursam o último período do curso de Turismo na faculdade Newton Paiva, e escolheram as manifestações da cultura afro-brasileira como tema para a monografia. “(O Candomblé) é uma religião muito rica, complexa. Tem muitos ritos, muitas manifestações, muitos elementos inseridos”, diz Simone. Para Juliana, que também conhece a religião desde criança, o Candomblé é importante para a sociedade, pois resgata valores históricos e culturais. “O candomblé é praticamente o berço do espiritismo. A cultura do brasileiro tem características afro-brasileiras”, informa a estudante de turismo.