Candomblé: Estigmas de uma religião.

O Primeiro Passo

O Primeiro Grande Passo

Uma religião pouco aceita e cultuada no país. Um grupo que não acredita em pecados e castigos. Uma doutrina pouco aberta, onde pouco se sabe sobre seus cultos. Nosso primeiro contato com o Candomblé (tema proposto para pesquisa) foi no primeiro terreiro fundado em Belo Horizonte, e tombado em 1995, como uma homenagem à cultura negra. A atmosfera do lugar era misteriosa para nós. As informações surgem logo ao cruzar o portão do lugar, onde vimos pequenos cômodos, que mais tarde descobrimos serem os quartos para o isolamento dos novos seguidores do Candomblé. Com a pouca bagagem que tínhamos apenas de leituras e percepções de terceiros, aquilo parecia o grande primeiro passo para o nosso projeto.

Não demorou muito, e o homem com quem havíamos entrado em contato, veio nos receber. Sidnei Tiodé é o Zelador de Santo do terreiro. Sim, zelador! O termo “pai de santo” que é falado popularmente, não é o correto, apesar do fato de alguns integrantes do terreiro, se dirigir ao Sidnei, como pai. Muito solicito e paciente, nos respondeu algumas questões e se esquivou de outras, talvez pelo fato de sermos estranhos para ele, assim como nos era estranho todo aquele ambiente.

As primeiras perguntas giraram em torno das premissas do Candomblé. A origem, os preceitos, as crenças, os orixás, os cultos… A iniciação foi algo que nos chamou atenção. O novo membro entra em um processo que se chama Rapa. Segundo relatos, é isolado por 30 dias, nos cômodos mencionados no início do texto, e ficam isolados dos conhecidos e das informações e também faz abstinência de sexo por um ano. Apesar de admitir não ter o controle, Sidnei disse que acredita na fidelidade dos membros iniciantes.

Assim como o início da vida no candomblé, o término dela também foi abordado. O Axexê é um ritual de morte que dura até sete dias. Os membros do terreiro cultuam a morte como uma forma de celebração.
Descobrimos que se trata de uma religião e que é monoteísta (cultuam apenas a um Deus). Outras questões foram levantadas, como o preconceito dentro e fora da religião. Segundo Sidnei, os membros do candomblé não têm preconceito com nenhum tipo de pessoa. Todos estão aptos a se iniciarem na religião desde que se abdiquem de alguns hábitos para se enquadrar nos preceitos do Candomblé.

Dúvidas primárias foram levantadas neste primeiro contato, como o celibato dos chefes de terreiros. Sidnei nos relatou casos de Zeladore de Santo casados e com família. Também tivemos a ousadia de pedir para acompanhar um ritual de purificação, o Bori, mas não fomos autorizados, por enquanto.

Saímos de la com algumas preciosas respostas e a certeza de que entramos em um universo onde há muito a se desvendar. As respostas, posteriormente analisadas, geraram novos questionamentos e direcionaram novos rumos a serem seguidos durante a pesquisa. Dado o grande primeiro passo, só nos resta continuar subindo os degraus, recolhendo as informações percebidas pelo caminho.

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