Candomblé: Estigmas de uma religião.

Por Françoise Batista

 

O Brasil é um país de grande diversidade religiosa. De norte a Sul pode-se dizer que existem todos os tipos de religiões espalhadas pelos quatro cantos. Esta diversidade acaba criando o que se denomina de grupos específicos ligados a cada religião. Segundo informações de alguns cientistas sociais, muitos destes grupos religiosos, são formados num primeiro momento porque as pessoas são atraídas por suas características sejam elas sociais, culturais, econômicas, etc; outro fator importante apontado por eles é o fato de que muitas dessas pessoas se identificam com os ensinamentos e com a filosofia de vida de uma determinada religião e outros por encontrarem um grupo próximo a sua região o que facilita ainda mais seu acesso e participação. Como a vida é feita de escolhas, na religião não é diferente, por isso cada um, opta por aquela que se identifica mais, ou de acordo com sua história de vida tradição ou hereditariedade. Tratando especificamente de um destes grupos religiosos, abordaremos o Candomblé e sua representação no Brasil, de acordo com dados fornecidos pelos últimos Censos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Contextualizando os dados dos dois últimos Censos realizados no Brasil, faremos algumas considerações importantes: No ano de 2000 o total de pessoal que se declararam pertencer a religião do Candomblé foram 127.582 pessoas o que representa 0,07% que somado aos que se declararam Umbandistas 0,23% somam-se 0,30%. Número que em percentual parece ser muito baixo, mas que em número de pessoas é bastante significativo. Do ano de 2000 para 1991 houve uma queda de 14% no número de pessoas que assumiram ser destas duas religiões. Dos 0,07% de pessoas que afirmaram ser do Candomblé 70.382 são mulheres e 57.200 são homens. A presença feminina no Candomblé é marcante e representa 18,72% à mais que a classe masculina. Outro fator importante constatado pelo Censo nesta pesquisa é que demograficamente, das 127.582 pessoas que assumiram ser praticantes do Candomblé, 123.214 vivem em domicílio urbano e 4.368 em domicílio rural, o que mostra que mesmo em meios urbanos os Candomblecistas estão conseguindo manter sua cultura, tradição e religião.

Um ponto muito interessante desta pesquisa é que em relação ao Censo de 1991, houve um aumento de 48,01% no número de pessoas que não declararam sua religião ou que disseram não pertencer a nenhuma denominação religiosa. Em 1991 o número era de 7.636.756 pessoas em 2000 estes número passou para 14.691.223. Um aumento considerável que podemos até mesmo associá-lo aos diversos preconceitos sofridos pelos adeptos a algumas religiões como o Candomblé por exemplo. Muitas pessoas por medo de discriminações e por sofrer a chamada intolerância religiosa, preferem omitir a sua verdadeira opção religiosa para se resguardar contra atos preconceituosos que possam vir a sofrer. Sendo assim, acredita-se que muitos adeptos a religião do Candomblé estão escondidos entre estas outras milhares de pessoas que não se assumem como sendo desta denominação. Omissos, por medo da chamada Intolerância Religiosa, vivem as margens de uma sociedade ainda marcada por muitos preconceitos e desinformação.

 

Françoise Batista

 

Fontes: IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

 

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