Candomblé: Estigmas de uma religião.

Os Sons dos atabaques unem cultura e religião.

Por Françoise Batista

Dos Quilombos surge a Capoeira. Brincadeira utilizada pelos escravos como uma forma de distração, mais tarde se tornou instrumento de luta e defesa e este jogo da Capoeira segue presente até os dias de hoje e é constantemente associado aos terreiros de Candomblé.  Considerada pelos estudiosos com uma expressão cultural afro-brasileira, a Capoeira une elementos tradicionais originados dos negros da África e dos ritmos brasileiros como o Samba e axé. Os instrumentos de percussão como: o berimbau, agogô, atabaque, pandeiro e outros é que criam o ritmo que envolve a Capoeira, que se inicia primeiramente com a formação da “roda” a partir destes instrumentos. Os capoeiristas então iniciam um canto de louvação dos feitos e qualidades de capoeiristas famosos, conhecido entre eles como Ladainha. Ao término da Ladainha, vem o Canto de entrada, no qual os capoeiristas se benzem e dão início ao “Jogo”. Após o canto de entrada vem a chamada Corrida, que com seus toques e cânticos acelerados, animam o “Jogo”. Tudo na Capoeira tem um significado, seja no golpe, no toque dos instrumentos ou até mesmo nas cantigas. Algumas inclusive são usadas para provocar os participantes e são chamadas de Cantigas de Sotaque. Na capoeira existe um toque que era muito utilizado pelos escravos, o chamado Aviso, que servia de comunicação entre eles, para alertar a presença do capitão do mato ou da polícia. Tudo na capoeira tem um significado expressivo que é facilmente reconhecido pelos seus participantes. Desde o toque dos instrumentos aos golpes, tudo foi criado pelos escravos não só como forma de distração, mas também como uma maneira de comunicação entre eles.

Expressão cultural ligada à cultura afro-brasileira a Capoeira possui uma relação muito íntima e intensa com o Candomblé, pois sua visão de mundo se expressa através dos Orixás cultuados nos rituais de Candomblé. Em algumas regiões do Brasil, muitos capoeiristas famosos ocupam lugares de destaque nestes rituais como “filhos” de entidades ou como “incorporadores” das mesmas. A semelhança que há entre a Capoeira e o Candomblé é algo impressionante e que pode ser claramente observado, pois ambos contemplam um ritual de consagração a liberdade, camaradagem e alegria e suas raízes expressam religiosidade, sensualidade, dança e cultura, elementos típicos da cultura afro-brasileira que muito enriquece a cultura do nosso país.

Presente nos terreiros de Candomblé de todo o país, a Capoeira tornou-se para muitos deles uma ferramenta de resgate da cultura africana. Em Belo Horizonte, O Projeto de Capoeira – Kizomba, ligado a Associação Quilombola Manzo Ngunzo Kaiango, conhecido popularmente como (Terreiro do Pai Benedito), atende atualmente 90 crianças e jovens do entorno da comunidade e foi criado a partir da necessidade de se preservar a juventude negra através dos ensinamentos da Capoeira. O Projeto é coordenado por um dos filhos do Terreiro que é Mestre de Capoeira e as aulas são realizadas no próprio terreiro situado no Bairro Santa Efigênia. Sem ajuda ou incentivo de órgãos governamentais ou empresarias o Projeto segue seu percurso visando contribuir com a formação de jovens e criança, através do resgate de sua identidade, auto-estima e ao mesmo tempo procura educá-los para o pleno exercício da cidadania e solidariedade.

 

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