Candomblé: Estigmas de uma religião.

Visita a um terreiro de Candomblé.

O Ilê Wòpó Olujukan é o primeiro terreiro de Candomblé Da Capital Mineira. No Bairro Aarão Reis. Encontra-se  hoje aos cuidados do Babalorixá Sidney Ferreira. A primeira visita revelou aos olhos e ao coração, pequenas sutilezas.

Por Hudson Freitas

 Na descida  calçada por paralelepípedos, no fim do morro íngreme abre-se o portão para um terreiro amplo e convidativo, com crianças correndo de um lado para o outro. Bicos dependurados nos pescoços, perninhas gordinhas com cuequinhas brincando de pique. Ô-modês (crianças) que caem, machucam e logo se levantam e esquecem do tombo. As velhas senhoras com suas roupas impecavelmente brancas que olham tudo sentadas em seus tamboretes ou em pé sob a soleiras das janelas de ferro. Janelas e portas abrem-se para o interior das casas, onde se avista velhas panelas no fogão. O bule que acabe de passar o café. O cheiro invade. E é uma mistura de cheiros que confunde. Os pés de mangas com suas primeiras flores e outras mil flores que desabrocham acolhendo ainda mais quem chega querendo saber tudo em apenas uma tarde. Uma velha senhora guia nossos passos até um amplo salão onde fomos convidados a ter a mesa com o Babalorixá.   

Poucas coisas ao redor, algumas fotos na parede, tronos de madeira. Uma pequena cronologia do terreiro dependurada na parede. No centro do salão duas representações: no chão um pilão e no teto um quadrado adornado com um algodão impecavelmente branco e bordado com ponto richelieu. Esse simbolismo é a ligação do céu com a terra. O medo de alguns deu espaço a curiosidade, permitindo a aprofundar no assunto. O cheiro da comida tomou conta do lugar e logo descobrimos que a comida não era “pra gente” era para o Orixá.  As filhas e filhos de “santo” passeiam de um lado para outro. Um bom café é servido, os cigarros se acendem, e a conversar vai tomando rumos engraçados. As primeiras impressões são formadas: cada um com a sua. E do nada nos vimos dentro do ônibus a caminho de casa.

Anúncios

Comentários em: "Primeiras impressões – Hudson Freitas" (2)

  1. Diana Vreeland disse:

    Amei.!

  2. Que texto lindo, amigo! Um relatório em prosa poética…
    Fiquei com vontade de conhecer esse lugar encantado, e isso graças ao que vc escreveu!

    Parabéns e espero novos textos.
    Beijos
    Lívia

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: